
Avaliação das Habilidades Motoras Orais do bebê na Introdução alimentar

A introdução alimentar, que se inicia por volta dos 6 meses de vida, é um período crítico para o desenvolvimento das funções orofaciais. É o momento em que o bebê transita da sucção (leite) para a mastigação e deglutição de sólidos. Esse processo exige uma coordenação motora complexa entre língua, lábios, bochechas e mandíbula, funcionando como uma verdadeira "academia" para a musculatura que, futuramente, será utilizada na fala.
A avaliação fonoaudiológica nesta fase visa garantir que o bebê possua os pré-requisitos motores e sensoriais necessários para gerenciar diferentes texturas com segurança e eficiência, prevenindo engasgos, seletividade alimentar e atrasos no desenvolvimento motor oral.
Quais são os principais sinais de alerta na introdução alimentar?
Embora cada bebê tenha seu tempo de adaptação, alguns sinais indicam que as habilidades motoras orais podem não estar evoluindo como esperado:
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Engasgos frequentes: Presença de tosse, lacrimejamento ou perda de fôlego constante durante as refeições.
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Reflexo de GAG exacerbado: O bebê apresenta náuseas ou ânsia de vômito excessiva, mesmo com alimentos adequados para a idade, impedindo o avanço das texturas.
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Dificuldade de lateralização: O bebê não consegue levar o alimento para os lados da boca (região das gengivas/dentes) para triturar, mantendo a comida apenas no centro da língua ou "esmagando" contra o céu da boca.
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Acúmulo de alimento: O bebê "guarda" a comida nas bochechas por muito tempo ou parece esquecer que o alimento está na boca.
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Recusa persistente de texturas: Dificuldade extrema em aceitar alimentos que não sejam totalmente lisos ou pastosos (recusa de grumos e pedaços).
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Escape excessivo: Grande perda de alimento ou saliva pelos lábios durante a alimentação, indicando falta de vedamento labial.
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Respiração Bucal: Bebês que permanecem o tempo todo de boca aberta, o que prejudica a coordenação entre mastigar, engolir e respirar.
Como é feita a avaliação e quem é o profissional responsável?
A avaliação das habilidades motoras orais deve ser realizada precocemente, idealmente assim que a família percebe dificuldades no início da IA ou até mesmo de forma preventiva para orientar a evolução segura das consistências.
O processo de avaliação contempla:
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Anamnese detalhada: Histórico da amamentação, saúde geral do bebê e como tem sido a rotina das refeições.
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Avaliação da prontidão motora: Observação da postura do bebê no cadeirão (sustentação de tronco e pescoço) e dos reflexos orais.
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Exame Clínico Intraoral: Avaliação do tônus e mobilidade da língua, lábios e bochechas, além da anatomia (presença de freio lingual alterado, por exemplo).
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Avaliação Funcional da Alimentação: O fonoaudiólogo observa o bebê comendo em tempo real para analisar como ele mexe a língua, como mastiga, como engole e como interage com os utensílios (colher e copos).
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Perfil Sensorial: Identificação de possíveis hipersensibilidades que estejam gerando a recusa alimentar.
Referências: Ministério da Saúde (Guia Alimentar para crianças menores de 2 anos) Irene Marchesan Patrícia Junqueira Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

