
Implementação da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA)

A Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) é uma área da prática clínica que visa compensar, temporária ou permanentemente, padrões de deficiência ou limitações de atividade de indivíduos com necessidades complexas de comunicação. Ela é composta por um conjunto de ferramentas e estratégias que buscam garantir o direito básico de comunicação quando a fala funcional não é suficiente para suprir todas as necessidades sociais e cognitivas.
Diferente do que muitos acreditam, a CAA não é apenas para quem "não fala nada". Ela é Aumentativa quando usada para complementar a fala existente e Alternativa quando substitui a fala que não é funcional. Pesquisas científicas comprovam que o uso da CAA não inibe o desenvolvimento da fala; pelo contrário, ao reduzir o estresse comunicativo, ela frequentemente auxilia no surgimento de sons e palavras.
Quando a implementação da CAA é indicada?
A indicação da CAA ocorre quando há um prejuízo na comunicação que impacta a autonomia e a participação social da criança. Os sinais e condições que frequentemente levam à implementação são:
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Ausência ou atraso significativo na fala oral: Crianças que não iniciaram a fala ou possuem um repertório muito restrito para a idade.
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Baixa inteligibilidade: Quando a criança fala, mas apenas os cuidadores muito próximos conseguem entender, limitando a comunicação com outros parceiros.
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Frustração e comportamentos desafiadores: Crianças que apresentam crises de choro ou agressividade por não conseguirem expressar desejos, necessidades ou sentimentos.
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Diagnósticos específicos: Condições como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Apraxia de Fala na Infância, Paralisia Cerebral ou Síndromes Genéticas que afetam a produção motora da fala.
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Dificuldade de compreensão: Quando o apoio visual (símbolos) ajuda a criança a entender melhor as rotinas e comandos do ambiente.
Como funciona o processo de implementação?
A implementação da CAA não é a simples entrega de uma "tabela de símbolos" ou de um tablet. É um processo terapêutico sistemático que envolve:
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Avaliação Transdisciplinar: Análise das habilidades motoras, visuais, cognitivas e linguísticas da criança para identificar o sistema mais adequado.
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Seleção do Sistema: Pode ser de baixa tecnologia (cartões de símbolos, pastas de comunicação) ou de alta tecnologia (softwares e aplicativos em tablets com saída de voz).
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Seleção do Vocabulário: Foco em "Vocabulário Núcleo" (palavras de alta frequência como querer, mais, não, ir) para permitir que a criança se comunique em qualquer contexto.
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Treinamento de Parceiros de Comunicação: Orientação para que pais, mediadores e professores aprendam a técnica de Modelagem (usar o sistema para falar com a criança), garantindo que ela esteja imersa em um ambiente de comunicação acessível.
O profissional responsável por avaliar, selecionar e implementar o sistema de CAA, acompanhando a evolução da competência comunicativa da criança, é o Fonoaudiólogo.
Referências Bibliográficas
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ASHA (American Speech-Language-Hearing Association). Augmentative and Alternative Communication (AAC). 2021.
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ISAAC Brasil (International Society for Augmentative and Alternative Communication). O que é Comunicação Suplementar e Alternativa (CSA)?
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Beukelman, D. R.; Light, J. C. Augmentative & Alternative Communication: Supporting Children and Adults with Complex Communication Needs. Brookes Publishing, 2020.
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Cesa, S. A.; Mota, H. B. Comunicação Suplementar e Alternativa: a fonoaudiologia e a escola. São Paulo: Revinter, 2017.
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Rocha, A. N. D. C. Recursos e Estratégias de Comunicação Alternativa para Crianças com Deficiência. Marília: ABPEE, 2015.

