
transtorno fonético

O Transtorno Fonético caracteriza-se pela presença de alterações motoras comprometendo a articulação correta dos sons da fala. Ausência dentária, Hipotonia (flácidez) de língua, lábios e bochechas, alterações de mordida, posicionamento inadequado da língua, frênulo lingual curto, entre outros fatores, são exemplos de alterações que podem dificultar ou impedir a produção adequada dos sons da fala.
No Transtorno Fonético, o erro ocorre por uma imprecisão no "ponto e modo" de articulação. A criança tenta produzir o som, mas o resultado é uma distorção sonora. Isso pode ocorrer devido a alterações funcionais (uso incorreto da musculatura), anatômicas (como freio de língua curto) ou por hábitos orais prolongados. (Marchesan, 2005)
Um exemplo é o individuo que apresenta frênulo lingual encurtado e não consegue subir a língua para produzir o fonema /r/ de “arara” e distorce o fonema /s/ durante a fala, popularmente conhecido como “língua presa”. Após a correção do frênulo, fortalecimento e posicionamento adequados da língua, a fala é corrigida.
Quais são os principais sinais do Transtorno Fonético?
Os sinais são mais localizados em sons específicos e costumam ser consistentes (a criança apresenta a mesma dificuldade sempre que tenta produzir aquele som). Os principais sinais incluem:
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Distorção Sonora: O som é produzido, mas com um ruído atípico. O exemplo mais comum é o ceceio (interposição lingual), onde a língua escapa entre os dentes ou pelas laterais da boca ao falar sons como /s/ e /z/.
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Incapacidade de realizar movimentos específicos: A criança não consegue vibrar a ponta da língua para produzir o "R" (como em barata) ou não consegue elevar a língua para o som do "L".
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Esforço excessivo na articulação: Nota-se que a criança faz uma força desproporcional com a face ou lábios para tentar compensar a dificuldade de um som específico.
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Presença de alterações orofaciais: É comum observar o lábio inferior mais flácido, língua sempre no assoalho da boca ou respiração predominantemente bucal.
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Persistência do erro: Diferente das trocas fonológicas naturais do desenvolvimento, a distorção fonética não costuma "sumir sozinha" sem intervenção fonoaudiológica, pois envolve um aprendizado motor muscular.
Como é feito o diagnóstico e quem pode dar este diagnóstico?
O diagnóstico do Transtorno Fonético exige uma análise minuciosa da Motricidade Orofacial, pois a causa do erro de fala está diretamente ligada à função e à anatomia dos órgãos articuladores.
O processo de avaliação contempla:
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Exame de Motricidade Orofacial (MO): Avaliação do tônus (força), mobilidade e postura de língua, lábios e bochechas.
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Avaliação da Anatomia: Verificação da oclusão dentária, palato (céu da boca) e a integridade do freio lingual.
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Avaliação Fonética: Análise detalhada de cada fonema isolado e em fala encadeada para identificar onde o fluxo de ar e o ponto articulatório estão falhando.
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Avaliação de Funções Estomatognáticas: Observação de como a criança mastiga, engole e respira, já que essas funções compartilham a mesma musculatura da fala.
O profissional indicado para dar este diagnóstico, realizar o diagnóstico diferencial (separando o que é fonético do que é fonológico ou motor complexo) e conduzir o tratamento é o Fonoaudiólogo.
Referências Bibliográficas
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Marchesan, I. Q. Fundamentos em Fonoaudiologia: Aspectos Clínicos da Motricidade Oral. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.
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Wertzner, H. F. Distúrbio Articulatório. In: Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo: Roca, 2004.
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Felício, C. M. Fonoaudiologia aplicada a casos odontológicos: motricidade oral e audiologia. São Paulo: Pancast, 1999.
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ASHA (American Speech-Language-Hearing Association). Speech Sound Disorders: Articulation and Phonology. 2020.

