
transtorno fonológico

O Transtorno Fonológico é uma dificuldade de linguagem que afeta a organização mental dos sons da fala. Diferente de um problema motor, aqui a criança possui a capacidade física de produzir o som (os músculos e a anatomia estão preservados), mas o seu cérebro ainda não aprendeu as "regras" de como e onde utilizar cada som dentro do sistema da língua.
Neste quadro, a criança utiliza processos de simplificação (conhecidos como processos fonológicos) que já deveriam ter sido eliminados para a sua idade. É como se o "software" da linguagem estivesse com falhas na organização dos arquivos sonoros, embora o "hardware" (a boca) esteja funcionando corretamente. (Wertzner, 2004)
Quais são os principais sinais do Transtorno Fonológico?
Diferente da Apraxia, onde os erros são imprevisíveis, no Transtorno Fonológico as trocas costumam seguir um padrão lógico e constante. Os principais sinais são:
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Substituições sistemáticas: A criança troca uma classe de sons por outra de forma repetitiva. Por exemplo: troca todos os sons "do fundo da boca" pelos "da frente" (fala "tasa" para casa, "tato" para gato).
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Omissão de sons e sílabas: A criança simplifica palavras complexas omitindo fonemas. Por exemplo: fala "pato" em vez de "prato", ou "atu" em vez de "gato".
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Dificuldade em organizar o sistema de sons: A criança consegue produzir o som isoladamente (se você pedir para ela fazer o som da "cobra" /ssss/, ela faz), mas na hora de falar uma palavra, ela o omite ou troca.
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Inteligibilidade de fala prejudicada: A fala parece "infantilizada" além do tempo esperado, o que pode causar dificuldades na interação escolar e social.
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Dificuldades na consciência fonológica: A criança pode ter dificuldade em identificar rimas ou em perceber que duas palavras começam com o mesmo som, o que pode impactar a futura alfabetização.
Como é feito o diagnóstico e quem pode dar este diagnóstico?
O diagnóstico do Transtorno Fonológico baseia-se na análise do sistema de regras que a criança utiliza. É fundamental verificar se as trocas estão de acordo com a idade ou se já deveriam ter sido superadas.
Para o diagnóstico, é necessária uma Avaliação Fonoaudiológica que inclua:
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Prova de Nomeação e Fala Espontânea: Registro e análise de como a criança produz cada som em diferentes posições nas palavras.
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Análise de Processos Fonológicos: Identificação de quais "atalhos" a criança está usando para falar e se eles são adequados para a sua faixa etária.
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Avaliação da Discriminação Auditiva: Verificar se a criança consegue ouvir a diferença entre sons parecidos (como /p/ e /b/).
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Diagnóstico Diferencial: Descartar se a troca é fonética (motora) ou se há um quadro de Apraxia associado.
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Avaliação da Linguagem: Observar se o vocabulário e a estruturação de frases também estão afetados.
Considerando que o Transtorno Fonológico é uma alteração na organização dos sons e na comunicação, o profissional indicado para realizar o diagnóstico e o tratamento é o Fonoaudiólogo.
Referências Bibliográficas
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Wertzner, H. F. Transtorno Fonológico. In: Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo: Roca, 2004.
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Lamprecht, R. R. Aquisição Fonológica do Português: Perfil de Desenvolvimento e Subsídios para a Terapia. Porto Alegre: Artmed, 2004.
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ASHA (American Speech-Language-Hearing Association). Speech Sound Disorders: Articulation and Phonology. 2020.
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Mota, H. B. Terapia Fonoaudiológica para os Desvios Fonológicos. Rio de Janeiro: Revinter, 2001.

